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Comer Alho e Passas pode ajudar a prevenir partos prematuros?

Sabe-se que o parto prematuro está associado[i] a problemas significativos durante a infância. Os prematuros que sobrevivem após a infância podem carregar consigo um legado de problemas de saúde[ii], tais como problemas de comportamento, deficiências moderadas a graves do desenvolvimento neurológico e transtornos psiquiátricos. Há ainda evidências que os adultos nascidos muito prematuramente apresentam um maior risco de sofrer de doenças cardíacas e diabetes [iii].
Mas os bebés não têm de nascer assim tão prematuros para sofrerem dos efeitos a longo prazo que um parto prematuro pode causar [iv]. Mesmo os nascimentos perto da DPP (36 ou 37 semanas) poderão estar relacionados a problemas de desenvolvimento subtis.

Então, o que podem as grávidas fazer para diminuir esse risco?

66.000 mulheres grávidas foram estudadas[v] no sentido de se verificar se existe uma associação entre os padrões alimentares maternos e o risco de parto prematuro. Os pesquisadores compararam a chamada dieta "cuidada" (legumes, fruta, água, cereais integrais), a dieta “ocidental” (snacks doces e salgados, pão branco, sobremesas, produtos processados de carne) e a dieta “tradicional” (batatas, peixe), constataram que a dieta padrão "prudente" estava associada a uma redução significativa do risco de parto prematuro, com a dieta “tradicional” em segundo lugar.

Pensa-se que uma percentagem significativa dos partos prematuros podem estar relacionados a infecções e condições inflamatórias do trato genital[vi], que desempenham um papel muito importante no desencadear do parto, por isso, uma dieta caracterizada pela elevada ingestão de vegetais e frutas pode reduzir tanto a inflamação sistémica e local, como reduzir os índices de infecção.

Algum alimento em particular?

O alho é conhecido pelas suas propriedades anti-microbianas e também tem fibras alimentares probióticas que alimentam as nossas boas bactérias. Os frutos secos são igualmente ricos em fibras e possuem actividade anti-microbiana contra algumas das bactérias suspeitas por participarem na origem da causa do parto prematuro.

Os cientistas estudaram o alho, a cebola e a ingestão de frutas secas de quase 19.000 mulheres grávidas e, de facto, observaram uma redução do risco de parto prematuro espontâneo relacionado com os grupos que consumiram alho, vegetais da família da cebola e frutas secas.
Em particular, o alho destacou-se nos legumes e as passas destacaram-se nas frutas secas.

Ambos foram associados com um risco reduzido de parto prematuro e rotura prematura das membranas (ruptura prematura das águas - antes das 37 semanas).

- Que o Alimento seja o teu Medicamento -







[i] Dev Med Child Neurol. 2013 - www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23521214
[ii] Semin Fetal Neonatal Med. 2014 - www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24290907
[iii] Semin Fetal Neonatal Med. 2014 - www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24332842
[iv] Neuropsychol Rev. 2012 - www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22869055
[v] BMJ. 2014 Mar - www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24609054
[vi] J Nutr. 2013 - www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23700347
1 fonte: Michael Greger M.D. 7 de Abril de 2016

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