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Entrevistas PREVENIR com SAÚDE à conversa com Leonor Cício (do blog ´Na Cadeira da Papa´)

Continuamos com as entrevistas do projecto ´Prevenir com Saúde´ desta vez à conversa com a maravilhosa blogger/mãe/chef/autora Leonor Cício. Nesta entrevista a Leonor fala-nos um pouco da sua experiência e da sua visão sobre um estilo de vida saudável.
Boas leituras :)


P: Leonor, fale-nos um pouco de si. O interesse por uma alimentação saudável surgiu com a maternidade ou já a praticava antes?
Primeiro, obrigada pelo convite. O interesse por uma alimentação saudável surgiu, quando a minha filha mais velha estava prestes a começar a alimentação complementar. Quando percebi que partilharia refeições com ela, resolvi re-avaliar a alimentação da nossa família e melhorá-la. Queria dar uma boa educação alimentar a ela e isso passava pelo meu exemplo.

P: Qual foi o momento em que sentiu a necessidade de iniciar o seu blogue “Na Cadeira da Papa”?
Chegada a vez da minha filha do meio iniciar a alimentação complementar e comecei a partilhar em grupos de maternidade as coisas que fazia para ela, que já tinha feito para a irmã. Percebi que era um bocadinho diferente do convencional e isso despertou o interesse de outras mães. Por incentivo destes grupos resolvi criar um blog para partilhar receitas e dicas, o Na Cadeira da Papa.  A palavra foi-se espalhando e o blog começou a receber cada vez mais visitas e seguidores.

P: Quais os benefícios que, na sua opinião, está a cultivar para a saúde futura das suas filhas?
O meu principal objectivo é que elas aprendam tudo o que eu puder ensinar sobre comida e alimentação, e que em cada opção que fazemos, há consequências para o nosso corpo e saúde. Que com essa informação saibam depois fazer boas escolhas alimentares, quando o tiverem que fazer sozinhas e sem a minha supervisão. Quero que sejam conscientes e confiantes nas suas opções alimentares. Acima de tudo, quero que tenham bons hábitos e bons vícios desde tenra idade, pois sei que ficarão para sempre. Neste momento, quando falho em ter sopa feita em casa, sou logo “crucificada” pelas duas!!  Isto para mim é um bom sinal. Quero acima de tudo que tenham uma alimentação altruísta, que percebam que as suas escolhas afectam as outras, outros seres e mesmo o planeta. Quero que tenham consciência disso e que seja algo sempre presente nelas.

P: Que tipo de alimentação fazem em casa?
Eu sou vegetariana, o pai não, mas alinha em muitas refeições vegetarianas. As meninas são expostas aos dois tipos de alimentação, sendo que predominam os pratos vegetarianos. A sopa é obrigatória, como referi antes. Não sou eu que as obrigo, são elas que me obrigam a ter sempre feita. Utilizo sempre 5 a 6 legumes nas sopas e de vez em quando algum tipo de leguminosa. Quanto aos pratos principais, para elas o essencial é que o prato tenha algum tipo de cereal, ou derivados, ou tubérculo (massa, arroz, cuscuz, batata...) e pelo menos um legume (tem sempre mais). A carne e o peixe não são elementos obrigatórios para elas, o prato pode ter ou não ter, que para elas não faz diferença.

P: Os cuidados com a alimentação devem começar na infância, mas há crianças que se recusam terminantemente a comer os chamados verdes. Quanto tempo a mãe deve insistir em oferecer esses alimentos?
Muito mais que insistir é perceber porque a criança recusa. Eu já passei por isso com ambas as minhas filhas. Às vezes até comem bem e depois deixam de comer e não percebemos o que aconteceu. É mais produtivo encontrar o motivo que leva a recusa, que insistir sem resultados. Coisas simples como, preferir comer com a mão (para sentir as diferentes texturas do vegetal), ou certas formas como é cozinhado, fazem diferença. Também aconselho sempre os pais a envolverem as crianças nas várias etapas. Se possível que contactem com uma horta, ou fazerem as compras num mercado com eles, que incentivem a criança a escolher um legume para o almoço, que ajudem a preparar. As crianças vão estabelecendo uma ligação com os alimentos e torna-se mais fácil aceitarem-nos.

P: Que alertas e dicas dá aos pais e aos jovens?
Assusta-me um pouco as modas na alimentação. As opções que se tomam por ver outros a tomarem, que muitas das vezes são infundamentadas e altamente desequilibradas. A alimentação é basilar na nossa subsistência, enquanto seres humanos. É o tema que requer toda a nossa atenção e investimento. Se não nos dedicarmos ao que nos mantem vivos, a que nos vamos dedicar? O supermercado é um péssimo conselheiro, e vejo que muita gente ainda deposita muita confiança nele, quando faz as suas compras, que se reflecte nos seus hábitos alimentares. A alimentação requer cuidado e informação, sempre de profissionais competentes. As pessoas não devem ter medo de procurar ajuda, quando precisam. É tão fácil fazer as coisas bem, como cometer erros na nossa dieta, com consequências na nossa saúde.

P: Quais são os cuidados que devem ser tomados para quem deseja reeducar a alimentação da família?
Acima de tudo informação. E não falo da internet, dos sites e blogs. Podem ser um bom início, para despertar o “bichinho”, mas devem sempre procurar ajuda de profissionais para essa mudança: pediatras, médicos, nutricionistas, naturopatas, etc. Tentar sempre que sejam profissionais que estejam em sintonia com o que pretendem alcançar e especializados no tema. Se quiserem mudar a alimentação da família para uma alimentação vegetariana, por exemplo, devem recorrer a profissionais especializados nesse tipo de alimentação.

P: Quais têm sido as maiores aprendizagens que surgiram no seu percurso dentro do âmbito da nutrição?
Aprender a descascar mais e a desempacotar menos, foi sem dúvida a grande lição. Percebi que uma alimentação mais saudável é tão simples como dar primazia e maior relevo aos alimentos de origem vegetal, e minimizar o consumo de produtos industrializados e processados. Também, aprender a respeitar a sazonalidade e geografia dos nossos alimentos. Para mim passou a fazer sentido consumir em maior quantidade, o que se produz no nosso país e na época em que estamos. Acho que é uma boa forma de regularmos o que o nosso organismo precisa. Por exemplo, no verão, a disponibilidade de frutas com maior percentagem de água, como o melão e a melancia, para nos mantermos mais hidratados. Se vivemos neste local, com este clima, faz sentido que consumamos o que a natureza nos fornece com estas condições.

P: Escreveu um livro, o “Mãe, Quero Mais!”. Como tem sido o feedback por parte das outras mães? Quais os maiores desafios que essas mães encontram?

O livro tem tido uma grande aceitação e quem o compra sente que é uma grande ajuda em casa. O meu principal objectivo com o “Mãe, quero mais!” e mesmo com o blog Na Cadeira da Papa, é que a alimentação saudável seja algo simples e fácil de ser praticado em casa e em família. Quero motivar as famílias portuguesas a cozinhar mais em casa e a comer de forma caseira e natural. A que comprem mais alimentos sem rótulos e listas de ingredientes, e que preparar refeições em casa seja divertido, sobretudo quando envolvemos os mais pequenos. Tenho recebido muitas respostas positivas nesse sentido, o que me leva a crer que tanto o livro como o blog estão a suceder bem nessa tarefa. Quanto a desafios que as pessoas encontram, é na aquisição de alguns ingredientes. As famílias hoje em dia, devido ao seu quotidiano, têm dificuldade em descentralizar as suas compras dos grandes hipermercados. Apesar de já haver muita oferta de produtos naturais nos hipermercados, ainda é difícil encontrar alguns, e eu percebo isso. Tento não usar muitos produtos “fora da caixa” para facilitar a execução das receitas, ou dou alternativas a esses produtos. 

Dá uma espreitadela nas magnificas receitas que a Leonor disponibiliza no seu blog: www.nacadeiradapapa.com


Atreve-te a Mudar e a PREVENIR com SAÚDE

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