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A Febre nas Crianças


           
Existe uma ideia muito presente de que a febre é uma doença, quando na realidade esta representa a tentativa, muitas vezes, eficiente do nosso organismo eliminar o microrganismo responsável por essa reação orgânica.
Tradicionalmente recorre-se a antipiréticos para reduzir a temperatura corporal, mas fazê-lo em condições normais é suprimir o sistema imunitário reforçando a acção do agente causador dessa reação, ou seja, estamos a mandar os nossos soldados embora para deixar o inimigo se apoderar do nosso território.
Mais grave ainda, é que muitas vezes medicamos os nossos filhotes, sem sequer termos noção dos possíveis efeitos secundários que possam surgir. Logo de seguida dou dois exemplos dos efeitos secundários dos 2 maiores antipiréticos utilizados em Portugal, a seguinte informação foi retirada da bula desses medicamentos presente no site do Infarmed:

IBUPROFENO (BRUFEN)

Efeitos secundários possíveis

Os efeitos indesejáveis foram notificados espontânea e voluntariamente durante a fase pós-comercialização de Brufen, por uma população da qual se desconhece a taxa de exposição.

Gastrointestinal: Náuseas, dispepsia, vómitos, hematemese, flatulência, dor abdominal, diarreia, obstipação, melenas, estomatite aftosa, hemorragia gastrointestinal, exacerbação de colite e doença de Crohn têm sido notificadas na sequência da administração destes medicamentos. gastrite, úlceras duodenal e gástrica, perfuração gastrointestinal, têm sido raramente notificada na sequência da administração de ibuprofeno. Muito raramente têm sido também notificados casos de pancreatite. Podem ocorrer, em particular nos idosos, úlceras pépticas, perfuração ou hemorragia gastrointestinal potencialmente fatais.

Doenças do sistema imunitário: Estas podem, compreender reações alérgicas não específicas e anafilaxia; reatividade do trato respiratório, incluindo asma, agravamento de asma, broncospasmo ou dispneia; ou doenças de pele, incluindo erupção cutânea de vários tipos, prurido, urticária, púrpura, angioedema e muito raramente, dermatites bulhosas (incluindo síndroma de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica e eritema multiforme).

Perturbações gerais e alterações no local de administração: Edema e fadiga têm sido notificados em associação ao tratamento com ibuprofeno. Efeitos cardiovasculares e cerebrovasculares. Edema, hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, têm sido notificados em associação ao tratamento com AINE.
Os dados dos ensaios clínicos e epidemiológicos sugerem que a administração de ibuprofeno, particularmente em doses elevadas (2400 mg diários) e em tratamento de longa duração poderá estar associada a um pequeno aumento do risco de eventos trombóticos arteriais (por exemplo enfarte do miocárdio ou AVC). Podem estar associados a um pequeno aumento do risco de ataque cardíaco (enfarte do miocárdio) ou AVC.
Reações bolhosas incluindo síndroma de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica.

Outras reações adversas menos frequentemente: Infeções e infestações: Rinite, meningite asséptica. Doenças do sangue e do sistema linfático: Leucopenia, trombocitopénia, anemia aplástica, neutropénia, agranulocitose e anemia hemolítica. Perturbações do foro psiquiátrico: Insónia, ansiedade, depressão e estado de confusão; . Doenças do sistema nervoso: Cefaleias, tonturas, parestesia;, sonolência e nefrite ótica. Afeções oculares: Perturbações da visão e neuropatia ótica tóxica. Afeções do ouvido e do labirinto: Perturbações auditivas, vertigens e zumbidos. Afeções hepatobiliares: Hepatite, icterícia, anomalias da função hepática e insuficiência hepática. Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos: Reações de fotossensibilidade. Doenças renais e urinárias: Nefrotoxicidade, incluindo nefrite intersticial, síndroma nefrótico e insuficiência renal.

PARACETAMOL (BEN-U-RON)
O paracetamol não deve ser usado em situações de febre alta (superior a 39 ºC), febre de duração superior a 3 dias ou febre recorrente, excepto se prescrito pelo médico, pois estas situações podem necessitar de avaliação e tratamento médico.

Efeitos Secundários

Sonolência ligeira, náuseas, vómitos.
Menos frequentemente foram descritos: vertigens, sonolência, nervosismo, sensação de ardor faríngeo, diarreia, dor abdominal (incluindo cãibras e ardor), obstipação, cefaleias, transpiração/sudação, hipotermia.
Em casos raros: vermelhidão da pele, perturbações da formação do sangue (trombocitopénia, leucopenia, casos isolados de agranulocitose, pancitopénia) em doentes predispostos broncoespasmo (asma analgésica), reacções alérgicas, reacções de hipersensibilidade exacerbadas ao paracetamol (edema de Quincke, espasmos musculares no tracto respiratório, que provocam dificuldades na respiração, inchaço da face, transpiração, náuseas e descida da tensão arterial (incluindo choque).
Apesar das falhas metodológicas, os dados clínicos/epidemiológicos parecem indicar que a administração a longo prazo de analgésicos pode causar nefropatia, incluindo necrose papilar.

Uma das melhores maneiras de garantir a saúde da criança é permitir que a febre atue. Pode parecer um conceito estranho e assustador, mas as doenças infantis padrão como as constipações e febres, sarampo, varicela, são de extrema importância para o desenvolvimento do sistema imunitário da criança, ajudando-a a prevenir muitas doenças futuras.
Com a febre, o corpo gera calor através do aumento da atividade metabólica, para ativar o sistema imunitário e combater o intruso.

Podemos no entanto, adoptar medidas de suporte ao processo de cura ajudando na eliminação dos resíduos gerados pela febre:

1.             Chá de limão - ajuda os rins a eliminar as toxinas.
2.             Evitar líquidos e comidas frias.
3.             Evitar proteína porque provoca mais ureia.
4.             Manter a criança num ambiente tranquilo e sem demasiados estímulos visuais, porque o sistema nervoso encontra-se muito sensível durante a febre.
5.             Colocar meias para aquecer os pés, tapando a criança para que esta se mantenha quente, sem calafrios porque se o corpo sentir frio irá gerar mais calor para compensar a sua perda, resultando num aumento da febre.

MEIAS DE LIMÃO PARA A FEBRE

O Limão irá ajudar a aliviar o desconforto da criança ao mesmo tempo que permite que a febre continue a actuar. A criança vai apresentar-se mais alerta e mais aliviada, e pode mesmo vir a solicitar comida, mas a temperatura não é forçada a suprimir, permitindo-a terminar o seu trabalho.

Como fazer as Meias de Limão

2-4 limões, dependendo do seu sumo
Água quente
Taça de tamanho médio
2 panos finos de algodão ou flanela
2 Meias de algodão largas e grandes.

Aplicação:

Coloque os panos dentro da taça.
Esprema o sumo do limão completamente para cima deles e esfregue um pouco da pele para libertar o óleo essencial do limão.
Adicione um pouco de água e misture bem com os panos.
Esprema bem e de forma rápida enrole à volta de cada pé terminando com a colocação da meia.
Aconchegue a criança nos cobertores.
Após 15-30 minutos notará uma mudança no comportamento da criança, tornando-se mais activa, confortável e enérgica.
Se a febre estiver muito elevada, poderá notar que as meias secam muito rapidamente. Pode repetir todo o processo as vezes que quiser, utilizando o bom senso como guia.
A tendência é a dar um antibiótico ou aspirina/brufen/benuron aos primeiros sinais de febre, no entanto, estudos recentes demonstraram uma forte associação entre tomar aspirina para doenças virais, como a varicela ou gripe e o desenvolvimento subsequente do síndrome de Reye. Como resultado, o Centro de controlo de doenças e o Comité de doenças infeciosas da American Academy of Pediatrics alerta para evitar dar aspirina a crianças.
A febre necessita de ser monitorizada e não suprimida. Isto permite a febre mobilizar o sistema imunitário do corpo, o que ajuda a combater a doença em questão, até porque, monitorizar a evolução de uma febre também é uma valiosa ferramenta de diagnóstico pois certas doenças têm padrões de febre característicos, sendo fundamental a sua observação para depois relatar ao médico.

Febre muito Alta e Convulsões Febris

Quando a febre sobe muito, por vezes pode levar a uma convulsão febril. Uma simples convulsão febril é uma convulsão causada por uma temperatura corporal muito elevada devido a uma infecção em qualquer parte do corpo, que não envolve necessariamente o cérebro. Assim, e por definição, uma criança que tenha uma convulsão febril não tem epilepsia, assim, como uma simples convulsão febril não leva a um retardo psicológico6. Quando a criança passa por uma convulsão febril, sugere-se que se consulte o pediatra para garantir que a criança não sofre do “Convulsões Febris complexas” que poderia ser devido a infecções presentes no cérebro7. Na maioria dos casos, a convulsão ocorre durante o primeiro dia da doença e não retorna durante o mesmo episódio patológico. No entanto, deve-se ter sempre em atenção qual a temperatura em que se deu a convulsão, mas lembre-se que a grande maioria dos bebés e crianças nunca chegam a ter um episódio de convulsão febril.
Pode-se tentar baixar a febre de forma natural através de banhos mornos, mas há que haver cuidado porque se a água estiver demasiado fria em comparação com a temperatura do corpo da criança, esta começa a tremer, o que aumenta a actividade muscular e como consequência aumenta a temperatura – a febre eleva-se.

Para evitar que a temperatura suba em demasia pode-se:
-       Dar de beber muitos líquidos (chás, água, sumos naturais);
-       Manter a temperatura do quarto amena (arejada);
-       Dar banhos de água morna;

Deve-se respeitar o tempo de recobro, ou seja, 1 dia de repouso por cada dia de febre.

1. Dr. Otto Wolff, "Childhood Diseases As a Source of Development," Weleda Nevus 4 (1983): 14-15.

2. Dr. Uwe Stave, "Reflections on Fever in Childhood," Journal for Anthroposophy, No. 42 (Autumn 1985): 9.

3. Ibid., p. 10.

4. In addition to western allopathic medicine, other systems such as homeopathy, naturopathy, anthroposophical medicine, and ayurvedic medicine provide helpful approaches.

5. Dr. Wilhelm zur Linden, When a Child Is Born (New York: Thorsons Publishers Inc.. 1984), pp. 163 164.

6. Dr. Alvin N. Eden, "Visit with a Pediatrician," American Baby (March 1987): 42-45.

7. Ibid., p. 42. 

8. Ibid.
9. American Journal of Diseases for Children, quoted in The Compleat Mother, Summer 1987):6.

10. Tineke van Bentheim et al., Caring for the Sick at Home (Edinburgh, UK: Floris Books, 1987), pp. 76-77.

11. Gudrun Davy and Bons Voors, eds., Lifeways (Gloucestershire, UK: Hawthorn Press, 1983), p. 269.

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