Avançar para o conteúdo principal

Plantas úteis na prevenção do cancro

Fonte: Pixabay
As plantas tem sido amplamente utilizadas ao longo da história como terapia para condições de saúde específicas, reduzindo a probabilidade de desenvolver determinadas doenças, incluindo o cancro. Felizmente esse conhecimento empírico tem vindo a ser confirmado pela ciência, que apoiam quase todas as alegações terapêuticas que passaram de geração em geração.

O chá verde (Camellia sinensis) é um exemplo de uma dessas plantas. É uma bebida muito popular no Japão e na China. Da planta Camellia sinensis obtemos o chá verde, o chá branco, o chá Oolong e o chá preto. A sua designação difere consoante o tipo de processamento/fermentação a que é sujeita a planta. Por exemplo, o chá verde é obtido das folhas frescas da Camellia sinensis, já o chá preto passa por um processo de oxidação.

O chá verde contém muitos compostos bioativos, ou seja, compostos que agem de forma específica no nosso corpo. Estes compostos incluem a cafeína, os polifenóis do chá e os compostos voláteis.

Os polifenóis são compostos bioativos da planta onde se incluem as catequinas, que se acredita serem responsáveis para muitos dos benefícios atribuídos ao chá verde. A catequina mais ativa e abundante no chá verde é conhecida como epigalocatequina-3-galato (EGCG), mas também existe outra, a epigalocatequina (ECG).
Ambas têm uma elevada atividade antioxidante, neutralizando os radicais livres presentes no nosso organismo [Biochem Pharmacol. 2011]. Esta atividade é verdadeiramente importante porque um radical livre é uma molécula reativa que pode danificar estruturas importantes nas células, como o ADN e as proteínas.
Assim, atualmente considera-se que a planta Camellia sinensis, nomeadamente no que diz respeito ao chá verde tem a capacidade de:

• Retardar ou impedir o crescimento de células cancerígenas [J Exp Clin Cancer Res. 2010, Int J Oncol. 2008]
• Bloquear a formação de novos vasos sanguíneos necessários para nutrir as células tumorais [J Nutr. 2002];

Devido à sua segurança e a numerosas propriedades anti-cancerígenas, é aconselhável consumir duas a três chávenas de chá verde biológico e na forma de planta (não em saqueta) diariamente.

O Dente-de-leão (Taraxacum officinale) é outro exemplo de planta medicinal de extrema utilidade na prevenção do cancro.
Esta planta é habitualmente utilizada no tratamento de infecções, inflamações, para aumentar o fluxo biliar e corrigir problemas hepáticos. Também possui um efeito laxativo suave e é benéfica no que diz respeito à digestão e apetite.
Recentemente, estudos demonstraram que os extratos da flor do dente-de-leão, das folhas e da raiz contêm compostos bioativos com potenciais propriedades anti-cancerígenas.

Num desses estudos, o extrato da raiz do dente-de-leão demonstrou conseguir matar células cancerígenas pancreáticas agressivas, resistentes ao tratamento, sem danificar as células não-cancerígenas [Pancreas. 2012 Oct].

Outro cancro que é resistente ao tratamento é a leucemia mielomonocítica crónica (LMMC). O extrato de raiz de dente-de-leão demonstrou matar seletivamente as células LMMC, sugerindo que esta planta tem um grande potencial como complemento eficaz ao tratamento convencional [PLoS One. 2012].

O extrato da raiz do dente-de-leão também demonstrou ser capaz de matar as células do melanoma (cancro da pele), também sem prejudicar as células não-cancerígenas [Evid Based Complement Alternat Med. 2011].

É importante lembrar que estes estudos foram realizados em células isoladas em condições laboratoriais. Para se saber ao certo a sua eficácia é necessário que sejam feitos testes clínicos em humanos. No entanto, podes beber 2 chávenas de infusão de raíz de dente de leão (biológico) por dia como terapia preventiva.

Abraço
Vera


Comentários

Mensagens populares deste blogue

O que as castanhas do Brasil têm a ver com o Colesterol?

Um estudo [i] avaliou o impacto que o consumo de uma única porção de castanhas do Brasil poderia ter nos níveis de colesterol em voluntários saudáveis. Deram a dez homens e mulheres uma única refeição com: zero, um, quatro ou oito castanhas do Brasil e descobriram que a ingestão de apenas aquela porção melhorou quase imediatamente os níveis de colesterol. O LDL, o chamado "mau" colesterol, ficou significativamente mais baixo apenas nove horas após a ingestão das castanhas. Mesmo os medicamentos não funcionam tão rápido. As estatinas, por exemplo, demoram cerca de quatro dias para ter um efeito significativo. Os pesquisadores voltaram a medir os níveis de colesterol cinco dias mais tarde, e, em seguida, 30 dias mais tarde. Embora eles não tivessem continuado a comer castanhas do Brasil os seus níveis de colesterol continuaram abaixo dos valores iniciais mesmo 30 dias depois, com apenas quatro castanhas do Brasil. Estes resultados sugerem que a ingestão de apenas ...

Estimular naturalmente os leucócitos

Pierre Marchesseau (1911-1994) foi um dos grandes teóricos da naturopatia na Europa da segunda metade do século XX. Adversário das falsas doutrinas de Pasteur segundo as quais o micróbio «vindo do exterior» do organismo é o causador de múltiplas doenças , Marchesseau sustentou, com Claude Bernard, que « o micróbio é nada, o terreno é tudo » e, com Tissot, que «o colibacilo intestinal não é um micróbio vindo de fora do organismo humano mas é o coli do sangue, alterado pela má alimentação, que passa ao intestino sob a forma de cocci». As causas internas - estado do sangue, linfa e glândulas endócrinas, que se purificam com sumos de frutos e vegetais crus - são determinantes na saúde.   Assim, o sensato, é  nos alimentar biologicamente, como frugívoros, exercitarmo-nos fisicamente e viver com o mínimo de «stress».  Sobre a tão propagada necessidade de estimular os glóbulos brancos ou leucócitos como defesas do corpo, Marchesseau escreveu: «Os leucócitos encontram-...

VegyBurguer (de sobras do pequeno-almoço)

Como já tenho vindo a afirmar diversas vezes, considero-me um ser muito prático e que valoriza as coisas simples (em todos os aspectos). Como tal, tenho por hábito aproveitar a polpa dos legumes com os quais faço sumos naturais  e onde uso, geralmente, cenoura e beterraba pelos motivos que explico aqui e aqui . Desta vez, aproveitei para fazer uns vegyburguer´s. Além de saborosos, são muito simples de fazer, práticos e nutritivos. Para os confeccionares, basta colocares a polpa do que resta dos teus sumos num robot de cozinha junto com 1 cebola e 1 leguminosa. Juntas sementes de chia demolhadas, moldas e já está. Os da fotografia levaram o seguinte: - Polpa de 1 Beterraba; - Polpa de 7 Cenouras; - 1 Cebola roxa; - 1 Chávena de lentilhas já cozidas; - Sal dos Himalaias; - Alho em pó; - Açafrão da Índia; - Pimenta preta; - 1 Colher de sopa de chia demolhadas em muito pouca água (só para formar o gel de substituição ao ovo); Triturei tudo, moldei, coloquei ...