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Naturopatia: aprender a confiar no organismo


A naturopatia é uma terapia multidisciplinar que reconhece no organismo humano uma capacidade inata para se recuperar. O importante é saber como ajudar o organismo a fazê-lo. E muitas vezes um simples composto de uma planta pode fazer a diferença.

Na naturopatia combinam-se conhecimentos de outras terapias alternativas, da fitoterapia, que se serve de plantas medicinais, à homeopatia, passando pela nutriterapia (que implica uma dieta direcionada para o problema em questão), pela oligoterapia (que usa em quantidades mínimas elementos como o cobre ou o magnésio, que fazem parte do nosso organismo), e pelo uso dos mais variados minerais ,vitaminas e amnioácidos. Tudo isto combinado com princípios mais genéricos que se aplicam a qualquer um de nós, como o cuidado com a alimentação e um estilo de vida saudável. O importante acima de tudo é perceber exatamente o que está na origem dos problemas.

"A primeira consulta, a anamnese, demora no mínimo duas horas", explica-nos Mercedes Alvarez, naturopata. É a altura para conhecer a pessoa e todo o seu contexto. Questiona-se sobre as patologias na família, sobre as patologias da própria pessoa quando já diagnosticadas, mas também sobre o estilo de vida e os hábitos de alimentação, entre outros factores. "Normalmente quem vem a uma consulta vem por duas razões", diz-nos. "Ou já tem a patologia diagnosticada e está a ser tratada mas está a tentar atenuar os efeitos secundários ou então não foi ainda diagnosticada através de exames mas tem queixas concretas".

Nestes casos, "o passo a seguir é pedir que realize exames junto do médico de família". As pessoas são genética, cultural e emocionalmente diferentes umas das outras. Mesmo havendo um diagnóstico claro de uma patologia, a naturopatia continua a manter a ideia de individualização do paciente. Daí que toda a informação seja essencial, já que a naturopatia procura ter uma visão holística sobre o corpo, vendo-o como um sistema único e não uma simples soma das partes.

Esta ideia do corpo como um todo não é de todo exclusiva da naturopatia. A Organização Mundial de Saúde (OMS), num documento intitulado Benchmarks for Trainingin Naturopathy, explica-nos que "muitos dos princípios filosóficos que sustentam a prática da naturopatia remontam à Grécia Antiga" e aos ensinamentos de Hipócrates em particular. Embora esta terapia tenha tido evoluções diferentes, as suas origens remontam ao século XIX, numa Alemanha já em plena Revolução Industrial.

Mercedes explica-nos que os primeiros praticantes "normalmente eram médicos que de uma maneira geral não estavam satisfeitos" com as práticas do seu tempo. E acabaram por recorrer a princípios mais naturais, precisamente numa altura em que o mundo desenvolvido começava a dar sinais do que seria o futuro. Mas com os aspectos positivos da industrialização, vieram também maiores níveis de toxicidade. E esta é uma preocupação que está como nunca na ordem do dia, seja por questões ecológicas (o meio envolvente tem impacto na saúde do ser humano) seja por hábitos novos que se foram criando.

Uma ajuda natural

Entre as diferentes vertentes com que a naturopatia procura abordar os que a escolhem, destaca-se naturalmente o uso de plantas. "Cada planta tem diversos compostos, muitos ainda estão por descobrir", recorda a naturopata, que nos explica que na naturopatia se procura utilizar o totum vegetal, e não princípios ativos isolados, como forma de minimizar os efeitos secundários.  O que nos recorda não só do potencial dos mais variados elementos que o homem encontra na natureza, como também da importância de uma relação mais cuidada e informada entre o homem e o mundo envolvente. E a verdade é que mais de 100 anos depois dos primeiros praticantes de naturopatia terem surgido, os cientistas continuam a descobrir propriedades nas mais variadas plantas – e a própria indústria farmacêutica percebeu desde muito cedo que a natureza esconde um imenso potencial. A famosa e já centenária aspirina, que começou a ser comercializada em 1899, vai buscar uma das suas mais importantes componentes, o ácido salicílico, a uma planta chamada spiraea ulmaria.

Enquanto terapia, a naturopatia procura fortalecer o organismo, facilitando mecanismos naturais de combate a doenças crónicas, como por exemplo a asma. E pode também ser uma ajuda extra à medicina convencional. Mercedes Alvarez dá-nos um exemplo em particular: o tratamento do cancro pela radioterapia ou pela quimioterapia, onde "tanto as células sãs como as cancerígenas são atacadas". Não interferindo com os tratamentos, a naturopatia tem pelo menos a vantagem de "aliviar as sequelas". Tratando-se de um processo particularmente violento e extenuante para um paciente, o próprio médico poderá informá-lo sobre terapias complementares que possam aliviar um processo tão desgastante, até do ponto de vista psicológico.

Prevenir pela alimentação
A naturopatia funciona também com um espírito de prevenção. Mas atenção: "a pessoa tem de estar consciente e ser responsável pela sua saúde", diz-nos Mercedes, que faz questão de realçar que as terapias naturopáticas só por si não serão suficientes para debelar de vez um problema. "Podemos prescrever tudo a uma pessoa para tratar uma patologia e a pessoa faz o tratamento durante três, quatro, seis meses e melhora". Mas se a pessoa deixar o tratamento e mantiver certos hábitos que lhe são prejudiciais, inevitavelmente voltará a sentir os mesmos sintomas e o mesmo desconforto.

A propósito desta ideia, questionamos a naturopata sobre se a terapia implica inevitavelmente uma mudança de estilo de vida. "Implica – diz-nos – mas não tem de ser drástica nem violenta". Na verdade, por vezes algumas alterações nos hábitos alimentares, coisas tão simples como substituir um ou outro alimento de uma dieta, pode ser porta aberta para uma mudança positiva. E existem conselhos tão práticos como o consumo de cerejas para controlar o ácido úrico, ou o consumo de melancia, "um drenante natural", para edemas.

É aqui que percebemos que a naturopatia tem no equilíbrio do sistema digestivo um dos seus principais objetivos.
Mercedes conta-nos inclusive a história de uma paciente sua, a quem receitou remédios naturopáticos. Ocupada entre viagens de avião, viu-se impossibilitada de, durante um mês e meio, levar a cabo a terapia recomendada. No entanto os conselhos sobre alimentação já permitiam sentir as primeiras mudanças. A naturopata explica-nos que a "mucosa intestinal tem de ser impermeável". E isto parte de um princípio tão simples quanto fazer da nossa alimentação uma muralha contra agressões externas.

Desde 2003 que a Naturopatia é uma das seis terapias alternativas legalmente reconhecidas em Portugal. O facto de os seus suplementos não serem comparticipados, o que os encarece, é uma das dificuldades atuais. Mas para quem estiver interessado em descobrir mais, o melhor mesmo será informar-se, por exemplo junto de uma associação, e procurar um naturopata credenciado. Afinal de contas, a ciência continua a descobrir novas ferramentas que ajudem a fortalecer a saúde do ser humano. E a natureza ainda esconderá alguns segredos que importa descobrir.



Fontes:
- Mercedes Alvarez, naturopata
- Organização Mundial de Saúde - Benchmarks for Training in Naturopathy

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